Ganhei na loteria, e agora?

ter, 17/02/2009 - 19h57
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A ilusão dos grandes prêmios sempre ronda os pensamentos de quem tem problemas financeiros. Como se fosse a solução para todos os males. O pior é que na maioria das vezes não é. Óbvio que melhora, que resolve a situação momentânea e que deve proporcionar uma explosão de alegria. Mas como diz o ditado popular: “o que vem fácil, vai fácil”.

Outro ditado bastante apropriado: “cavalo encilhado não passa duas vezes”. Isso é um alerta para quem ainda não ganhou na loteria. Esteja preparado para quando sua hora aparecer. Aprenda a lidar com o dinheiro, na escassez e na fartura. Não pense que basta ganhar muito dinheiro para ficar rico. É preciso saber administrá-lo.

Não são raras as histórias de pessoas que ganharam fortunas em loterias e pouco tempo depois perderam tudo. Casos de atletas e artistas que vêm suas carreiras estourarem e junto com o sucesso ganham muito dinheiro. Às vezes volumes maiores do que sequer podiam ser imaginados por aquelas mesmas pessoas antes anônimas. Passa a fama, acaba o dinheiro.

Essas situações revelam o que poucos percebem. É preciso estar preparado para ter e conservar tanto dinheiro. Aqui vem o segredo: é preciso fazer isso antes de chegar a hora. E as oportunidades surgem para muitos. O diferencial é que poucos percebem. E ainda menos estão preparados para aproveitá-las.

Mais curiosa é a situação de pessoas que ganham prêmios que para alguns seria uma benção, para outros gera tormentos. Como exemplo tomemos pessoas com renda baixa que ganham carros em sorteios, de valor maior do que seu patrimônio, mas ao invés de vendê-lo de imediato decidem desfrutar “da sorte”.

Uma semana depois, o carro agora usado, já vale menos. A casa certamente não tem garagem. Essa pessoa possivelmente não saiba dirigir. Terá custos para aprender, e riscos para dirigir e para guardar o carro. O seguro, torna-se obrigatório nessa situação, mas custa mais do que a renda da família inteira. O preço dos combustíveis, antes desconsiderado, passa a concorrer com as despesas da feira. E ainda tem o IPVA, as revisões, a manutenção, pedágios, estacionamento, flanelinhas. Enfim, o carro que era para ser um prêmio, acaba sendo um tormento.

Pior é quem ganha prêmios relativamente pequenos em dinheiro e utiliza o dinheiro para cavar a própria cova financeira. Gente com renda de dois ou três mil, que ganha prêmios equivalentes a quatro ou cinco vezes essa renda, empolga-se e utiliza o dinheiro para dar entrada em um carro ou imóvel novo incompatível com sua situação financeira. A entrada é viabilizada por um golpe do destino. Mas a renda não comporta um novo compromisso. O resultado é certo e esperado. Alguns meses de euforia seguidos pelo tormento de não conseguir arcar com os ônus do novo bem. Às vezes o erro está em abrir um negócio próprio sem a devida preparação e competência. As dívidas se acumulam. Os juros se multiplicam e o saldo final é pior do que a situação anterior. Uma verdadeira tragédia financeira.

A lição dessas situações é clara. E a solução é simples: educação financeira para todos. Esse não é uma assunto apenas para ricos ou para adultos. E definitivamente não é um assunto para depois. Todos precisam adquirir educação financeira. Agora. E para sempre. Principalmente para quando chegar a sua hora. A sua grande oportunidade. E acredite, ela vai chegar. É bom estar preparado.

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

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