Inversão de papéis e limites

qua, 27/10/2010 - 22h00
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Eu me pergunto se o cara que gosta de inversão é viado ou não. As conclusões a que chego obviamente dependem do meu estado de espírito... Claro que tem o lance da estimulação prostática propriamente dita, enfim, o coito anal, mas o lance do cara é diferente. Ele sente tesão por mulher, gosta de buceta, de meter em buceta, de xupar, comer cú de mulher, enfim, o sujeito não tem nojinho de mulher, não faz sexo com mulher prá cumprir tabela até chegar a hora dela meter nele.

Mas vamos aos poucos... o que é a inversão? É quando homem e mulher invertem os papéis sexuais dentro de um coito, isto é, ela assume o pólo "ativo", penetrando o parceiro, e ele o "passivo", sendo penetrado. Ele pode ser penetrado por um dildo, ou consolo, ou mesmo um vibrador, que pode ou não ser amarrado numa calcinha ou cinto chamado de strap on. Ele pode também usar um plugue anal, ou anal beads durante a relação com a mulher. Até a massagem prostática, dependendo da atitude, pode ser uma prática de inversão.

A inversão pode ou não vir associada a cross-dressing, isto é, ao homem se vestir de mulher. Mas ainda bem que nunca peguei isso pela proa, acho que não saberia como lidar!

Não é incomum estar associada a fetiches como couro, vinil, e também a práticas de submissão e sadomasoquismo. Nem entro nesse mérito, ao menos por enquanto!

O que impede um cara que gosta de inversão de sair com um travesti? Creio que a definição que ele tem quanto à própria orientação sexual. Se não existe homem bi-sexual, mas homossexuais masculinos que eventualmente "fazem" mulheres, o travesti é a transição ou desculpa para esse mundo homo com o qual ele flerta. Teoricamente o invertido não teria prazer com um pênis real, mas com a visão da vagina exercendo poder sobre ele. Não é apenas a aparência feminina externa, é a coisa vaginal mesmo a qual ele adora e se submete inclusive.

Para a mulher a coisa é tão complicada quanto for complicada para ela a relação com o macho. Se ela não feminilizar o homem que está naquela posição... e se ela não se masculinizar...

Entendo que mulher goza sendo mulher com a sua cabeça e com o seu corpo. Se ela goza pelo puro exercício do pau de plástico no cú do homem ela é perversa e ponto. Ela pode achar mil justificativas intelectuais para isso, mas... é preciso uma certa autocrítica para:

a) achando que é a poderosa, não se tornar mera escrava da perversão ou fantasia alheia

b) não sei se alguém vira perverso, pois acho que isso é estrutura, mas em todo caso... para não virar perverso

c) sexo não é obrigação e nem moda, ninguém tem que ser liberal, cada um tem os seus limites e não há nada de errado nisso.

O mundo está cheio de pessoas com desejos "estranhos" por aí, vivendo casamentos de anos e com vidas paralelas tentando dar conta desses desejos. Há também gente tentando novas formas de relacionamento na sanha de não colocar limite nenhum a nada, ou quem sabe tentando ser feliz também.

No limite da sanidade alguns encontram prazer... e eu me pergunto, depois de refletir sobre a transitoriedade da vida e do quanto abrimos mão de prazer pelas pressões da sobrevivência e da sociedade: será que há tanto mal assim em tentar viver seus desejos sem machucar ninguém?

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