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texto de Rosana Braga

sab, 09/08/2008 - 00h08

Que todo mundo sofre, a gente pode imaginar.

Sinceramente, creio que não haja sequer um ser vivo nesta dimensão que não sofra.

Jesus Cristo sofreu, Dalai Lama sofreu, Bin Laden sofre, Angelina Jolie e Brad Pitt sofrem, Bill Gates sofre, Xuxa sofre, eu sofro e suponho que você também...

Então, esse danado de sofrimento tem de servir para algo de bom!

Mas depende de nós, de como reagimos à dor, de como encaramos os momentos de angústia e aflição...

Aprender a transformar a dor em amadurecimento é uma tarefa que exige topete, como diria minha avó!

E parto do princípio de que existem três caminhos para lidar com ela, sendo que apenas um deles pode nos conduzir a uma condição realmente válida: a transformação do sofrimento em consciência e, conseqüentemente, em felicidade:

1- Fingir que não estamos sofrendo, desconectarmo-nos da dor, vestirmos uma armadura e simplesmente não entrarmos em contato com aquilo que nos machuca e nos faz perceber o quanto não sabemos lidar com a situação e, portanto, o quanto ainda temos o que aprender...

2- Sofrer exageradamente, descabidamente, nos perdendo e nos desrespeitando; passarmos a implorar pela atenção e pela piedade do outro; ignorar nossa auto-estima e, por fim, mais do que nos despedaçarmos para depois nos recompor, permitir que a dor nos faça desmanchar, até que já não mais saibamos quem realmente somos...

3- Sofrer intensa e dignamente, até compreender e assimilar que a dor é um aprendizado, um amadurecimento, um convite ao mundo de gente grande; usar a dor para evoluir, fazer diferente, reconhecer nossas limitações e transcendê-las...

Claro que a terceira opção é a mais difícil; é como arrancar a ferida sem anestesia, porque não há remédio que alivie; é fundamental sentir o que há para ser sentido, sem mascarar, sem amortecer.

Sendo assim, só existe uma coisa a fazer: encarar a si mesmo e sofrer até que desabroche o grande ensinamento.

Eis aí a mais pura e eficiente sabedoria.

Todos os problemas resolvidos?

De forma alguma.

A vida é cíclica.

O universo é perfeito; e se aqui estamos para nos tornarmos melhores, haveremos de entrar no ritmo de uma dança que intercala alegria e tristeza, amor e indiferença, equívocos e acertos, dor e felicidade, num compasso que pede, enfim, cada vez mais felicidade e menos dor!

Como?

Estando atentos todos os dias.

Admitindo os erros e nos acolhendo.

Reconhecendo o crescimento e festejando.

Olhando para isso tudo do modo mais carinhoso que conseguirmos, sem desistir: o trabalho é de formiga, dia a dia, passo a passo, sem nunca parar...

É assim: a gente repete o erro várias e várias vezes, porque uma coisa é saber e a outra é sentir e fazer...

Primeiro a gente descobre que está fazendo errado; aí tenta fazer o certo, mas ainda não sente e erra de novo.

Até que, um belo dia, a gente acorda e pensa: por que é que estou fazendo isso desse jeito?

Cai a ficha, finalmente, e daí não tem mais jeito, a gente acerta, acerta, acerta...

Só que, num outro belo dia, algo acontece e a gente se fragiliza e quando vê, está lá, errando de novo.

E assim caminha a humanidade...

O segredo?

Acertar mais vezes do que errar, porque acertar sempre é impossível.

É por isso que o caminho não tem fim, porque a gente nunca sabe tudo...

Num dia, está lá em cima, noutro dia, lá em baixo...

É o paradoxo que nos dá a noção do que realmente desejamos...

Por essas e outras, mais do que se culpar ou se afogar em lágrimas deliberadamente, procure saber e sentir, viver e agir, amar e, a despeito dos inevitáveis enganos, tentar de novo e nunca desistir, porque o objetivo é ser melhor e ser feliz!

(texto de Rosana Braga)

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